sábado, 7 de janeiro de 2012

Sou fraco...


Estou numa sala que outrora fora uma grande sala. Ouve música, teatro e até revista, mas o que é agora? É um espaço amplo e vazio, onde o tic tac do relógio influência quem lá esta. Eu sou fraco... Tenho medo desse tic tac, tenho medo deste silêncio e tenho medo deste triste lugar. Como pode agora uma sala voltar a nascer? Eu sou a sala que outrora teve o seu momento de glória, eu sou a música nela tocada, eu sou o repique do relógio a tocar, eu sou o barulho de um bom teatro e de uma boa revista, mas acima de tudo eu sou a alma desta sala. Sei que por vezes ouve altos e até mesmo baixos que ninguém conseguiu evitar, porque quando uma alma é fraca a sua sala é assim. Já não se ouve música, somente o tocar morto de um relógio. No passado havia poesia, agora há letras perdidas no tempo. Alguns dos sonhos que lá foram construídos, agora sentem-se perdidos no tempo. Eu sou um desses sonhos. Sonhava conhecer algo, e não conheci nada, sonhava viver e ser vivo, e não fui vivido. E agora? Volta outra vez o tic tac do relógio e o meu medo renasce. Sei que dentro desta sala está a verdade e a que a mentira, não passa apenas de um aparte. Todo o repique de um som dado pelo relógio de sala transforma a minha ânsia de descobrir em medo puro. Fraco... Fraco...É  este o som que o relógio diz. Percorre todos os caminhos desta sala e só vejo pessoa que deveras estão lá, ou estão e não falam. Consigo ver através de um banco todos os teatros e musicais aqui feitos, todas as glorias conquistadas e todas as verdades ditas, mas tudo isto não passam de meras ilusões. Ilusões que sobreviveram ao longe deste tempo todo, algumas ainda perduram nos camarins e outras simplesmente navegam como se estivessem num mar agitado. Neste momento o meu coração ouve o som do relógio, que perdurando tenta furar o meu motor principal. Consigo visualizar pequenos humanos, que numa doçura tentam representar uma peça e a minha alma com uma figurada está lá no meio. Tenho medo, diz a minha alma...és fraco, diz o relógio, e eu o que digo? Nada. Eu sou as paredes fracassadas que ainda sobrevivem ao fim deste tempo todo, eu sou a tinta que depressa cai, eu sou o candeeiro velho e sem luz, eu sou todo que naquela sala existe. Tento ouvir o som do mar, que daquele alçapão saí, mas é simplesmente mais uma das mentiras que ficaram por revelar, nos tempos de glória. Mais uma vez estou sentado e volto a ter medo, medo de não ser ouvido e de não ser escutado, medo de ser mais uma mentira perdida, medo de ser tudo e não ser nada ao mesmo tempo... Afinal o que sou eu? Eu sou esta sala fraca no corpo de alguém que por gestos faciais tenta dizer que é forte e feliz, eu sou uma sala abandonada porque quem pensa que tem a glória, mas só tem a derrota... Eu sou esta sala fracassa...

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